sexta-feira, abril 25, 2008

Crónica de Cravo Vermelho à Lapela

(Continuamos a viver no país dos vampiros que comem tudo e não deixam nada!!! Post escrito faz hoje um ano no dia 25 de Abril de 2007. Resolvi "republicá-lo" porque, afinal de contas, a minha opinião mantém-se... Se tiverem paciência leiam... se não... um bom feriado!)


liberdade Hoje coloquei o cravo vermelho à lapela e saí à rua.

Nas ruas vi muita gente, numa tarde ventosa mas solarenga. Trouxeram as crianças ao parque, para brincar no insuflável ou pura e simplesmente vieram apreciar o feriado num esplendoroso espaço verde.
Um feriado... foi nisto que o dia 25 de Abril se transformou, 33 anos passados.
No entanto, o meu cravo vermelho à lapela não passou despercebido! Sei que uns pensaram que eu era comunista... outros pensaram que eu era tontinha... e outros até pensaram porque raio eu tinha posto um cravo vermelho à lapela!!!
Usei o cravo porque acredito na Liberdade, e para mim o cravo simboliza isso mesmo, "politiquices" à parte.

Nasci em 1980, e como é óbvio não vivi no tempo da Ditadura Fascista. Ao longo dos meus 27 anos de vida tenho vivido muitas coisas, umas boas, outras menos boas, mas sempre em Liberdade. Sempre me pude expressar sem medo de represálias. Sempre escolhi o meu caminho sem influências políticas. Sempre votei em quem quis, porque assim o entendi. Sempre achei que nasci num período bom, porque antes as pessoas viviam com medo e com muitas dificuldades, eram perseguidas politica, religiosa e ideologicamente.

Do alto destes 27 anos de vida, olho à minha volta e vejo um país em direcção ao abismo, e eu encontro-me nessa multidão. Desemprego... Emprego precário... Fecho de urgências e maternidades... Subida dos impostos... Colapso da Segurança Social... Fraude fiscal... Governo envolto em polémica... Aumento da criminalidade violenta... Falta de confiança nas forças policiais... Posto isto, não admira que muitos façam o elogio da Ditadura! Já não me espantam aqueles que, revirando os olhos num suspiro, deixam escapar "no tempo do Salazar isto não acontecia..." ou "antes do 25 de Abril é que era bom..."

1547a Pois, não sei... Só sei que hoje queria escrever sobre isto. Dei voltas na Internet, reflecti um pouco... Sinto-me triste, revoltada mesmo, porque quero mesmo muito acreditar que a minha vida antes do 25 de Abril só poderia ter sido pior!
Mas depois penso... 4 anos após o final da minha licenciatura só tenho conseguido emprego precário... trabalho a recibos verdes e não tenho trabalho nos meses de Julho e Agosto... passei 5 anos a estudar e agora tenho de viver de migalhas... gostava de ser mãe mas não vivo num país que incentive a maternidade - se resolver ser mãe não tenho direito a "licença de maternidade" e não tenho direito a subsídio algum... E como eu estão tantos outros!!! Ou pior!

Será que este país não precisa da força trabalhadora da sua Juventude?
Será que este país quer envelhecer de tal forma que um dia não haverá nem jovens nem futuro?
Não estamos bem assim... vivemos num país que não consegue equilibrar as forças - se o Fascismo é mau, vivamos a Democracia! Se a Democracia não funciona, preferimos o Fascismo!

Vivemos tempos difíceis, de excessivo uso da liberdade ganha em Abril. Muitas vezes as pessoas esquecem-se que a nossa liberdade termina quando começa a liberdade do outro...

Quero acreditar na Liberdade, na mensagem de Abril... enquanto assim for, em todos os dias 25 de Abril, sairei à rua com um cravo à lapela... Porque quero lutar pelo meu futuro como aqueles que fizeram Abril lutaram por um Portugal livre para todos.

2 comentários:

Júlio disse...

O teu cravo simboliza para ti a liberdade, e assim devia ser para todos. Desde o primeiro momento, o cravo e o gesto em si, procuraram calar as armas, que quase nem falaram, nesse dia para nós algo longínquo. Foi um gesto apaziguador. Mas hoje usar cravo pode ser visto como dizes que o sentiste... Talvez por ser distante, hoje muita gente já esqueceu o que se quis fazer com o 25/Abril, outros nem o sabem sequer. Depois vieram alguns e quiseram colar o gesto do cravo a "eles" ou aos "outros". Um gesto que hoje poucos percebem, mesmo muitos que o repetem ano após ano, na TV... Antes estava algo mal, agora, algo está mal...
Eu cada dia acredito mais que para muitos democratas, a democracia só é boa, só é perfeita, quando eles são os eleitos... (daí os elogios à ditadura nos tempos de hoje...)
Desculpa a intromissão e o desabafo...

Joseph disse...

Cati
Olá

Respeito muito o teu post, li-o na totalidade, e vou escrever um pouco, é que talvez desconheças alguns pontos:

-O estratega-mor do 25 de Abril, que queria uma democracia para esquerdistas e direitistas, uma democracia livre, não a mania de que, só o que é de esquerda é que é bom, era um homem bom, e como a maioria dos homens bons, MORREU CEDO.
Partiu cedo de Santarém com os seus 240 homens e fez o 25 de Abril com 2 ou 3 tiros.
Rápidamente percebeu que o seu 25 de Abril, não era o que se estava a verificar....
E vieram os comunistas, e todos os outros esquerdismos....
Durão Barroso, o Sr. das Europas, era da estrema esquerda???!!!!
Veio um tal Álvaro Cunhal, fazer a apologia do Marxismo-Leninismo-Estalinismo, responsáveis por milhões e milhões de mortos na URSS, brandindo a sua foice e o seu martelo....

Esse Homem chamava-se: Capitão SALGUEIRO MAIA, que morreu em Abril de 1992, com apenas 47 anos de idade.
Chamavam ao Homem do nosso Distrito de Santarém "O Herói Das Causas Nobres"....

Era bom de mais para viver nesta confusão em que Portugal se transformou.

Por isso, o 25 de Abril deve a sua definitiva legalização ao General RAMALHO EANES, ao Coronel JAIME NEVES, e outros, "Comandos" como Salgueiro Maia, que com o 25 de Novembro restabeleceram o equilibrio das forças no terreno e acabaram com as leviandades de OTELO, Major TOMÉ, etc. etc. etc....

Foi só um cheirinho sobre um "Comando BOM", que foi militar em Moçambique, quando eu lá estava.

..........

Sempre a considerar-te...

Beijinho mito amigo;)*